16 de out de 2008

Ricardo Siri tira som de um fusca

Ricardo Siri tira som de um fusca


O percussionista leva o carro para o palco e usa motor, calotas e pára-choque para fazer som de qualidadeEduardo Tristão Girão - EM Cultura

O compositor e percussionista Siri transforma suas apresentações em verdadeira oficina mecânica musical Para quem toca Fusca, é fácil tirar som de vibrafone, bateria, pandeiro, berimbau, tabla, didgeridoo, bodhran e talking drum.

É o que vai provar o percussionista carioca Ricardo Siri, que se apresentará pela primeira vez em Belo Horizonte quinta-feira, às 20h30, no Teatro Sesiminas. Com sua banda, mostrará o show do álbum Siri (2003), cuja turnê deu origem ao novo CD/DVD, Concerto para conserto. O espetáculo faz parte do 6º Festejo do Tambor Mineiro, comandado por Maurício Tizumba (que abre o show) e comemorado até domingo, reunindo diversas guardas de congado e promovendo oficinas de música e apresentações de grupos de percussão de todo o estado.O Fusca não é força de expressão. Ricardo Siri, realmente, levará um carro no palco. Trata-se de um Fusca 69 percutido com baquetas pelos músicos, que extraem sons do motor, do capô, da lataria, pára-lamas, do pára-choque, das placas, da ignição, da chave, das calotas e da capota. Siri chega a serrar partes do veículo com esmeril para obter resultados ainda mais inusitados com o “instrumento”. Detalhe: o carro é o mesmo desde 2003. “Vira e mexe, o levamos para consertar e soldar. Já está muito amassado”, conta Siri.Ele teve a idéia de usar o veículo como percussão enquanto dirigia, prestando atenção ao ronco do motor de kombis e fuscas. De tanto ouvir, percebeu musicalidade no barulho e concluiu que o ronco do primeiro é mais “melódico” do que o do segundo. Resultado: comprou o Fusca de um amigo e passou a levá-lo a todos os shows. Diferentemente do que chegou a pensar no início do projeto, o transporte do carro nunca foi empecilho para agendar shows. Tanto que, nos últimos cinco anos, apresentou-se em São Paulo, Brasília, Salvador e Recife, além de várias casas no Rio de Janeiro. No total, instrumentos, equipamentos, fusca e cenário somam uma tonelada.No palco, Siri será acompanhado pelos percussionistas João Guilherme, Leo Sousa e João Gabriel, o trombonista Paulo Prado, os violoncelistas Luciano Corrêa e Fernando Morello e a violinista Carol Banesi. A formação incomum, somada à diversidade de instrumentos e ao gosto pela experimentação, propiciou a criação das músicas originais e inclassificáveis do disco de estréia do artista, caso de No tranco e Trombada, que harmonizam ronco de motor e arranjos de trombone que remetem a buzinas.Outros exemplos são Homenagem ao mestre, em que o piano é tocado a três mãos, e N’água, com bacias, panelas, escorredores de macarrão, copos, bules e outros objetos de cozinha. Ambas produzem sons surpreendentes em contato com a água. “A técnica para tocar água é como a da tabla e do derbake”, explica. O músico, que já tocou com Sivuca, MPB-4 e Bossacucanova, recentemente foi convidado para participar do novo show da cantora Anna Carolina, que ficou encantada com a “água”.VISUAL “Minha primeira turnê se prolongou por três anos. Logo no começo, percebi, pela reação das pessoas, que esse espetáculo também era muito baseado em imagem. Elas não imaginavam o resultado produzido pelo conjunto formado por orquestra e Fusca”, conta Siri. Atualmente, o show é experiência visual e musical, tendo o carro como elemento mais chamativo, mas não principal. Efeitos, luzes e imagens complementam a apresentação.“Sempre penso em artistas quando o assunto é público, mas já fiz apresentações abertas com todo tipo de platéia, juntando multidão. Minha música é para qualquer público. Não faço experimentação por experimentação. Quando toco de graça, as pessoas piram, querem tocar o Fusca. O público está aberto a novidades”, diz o músico.CURRÍCULOPercussionista, compositor, arranjador e produtor, Ricardo Mattos, o Siri, é formado em bateria pela Los Angeles Music Academy, nos Estados Unidos, onde reciclou seus estudos sobre música indiana e africana. Trabalhou com Sivuca, MPB-4, Daniela Mercury, Sidney Magal, Baby do Brasil, Bossacucanova, Roberto Menescal, Big Allanbik, Dora Vergueiro, Zezé Motta e Danilo Caymmi. Já participou da gravação de cerca de 50 CDs e DVDs em diversos estilos musicais.

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