10 de out de 2008

Na contramão da lógica, o velho Fusca está em alta e valorizado

Na internet, há anúncio que pede R$ 100 mil pelo carro. Fusca vem passando de pai para filho e vira xodó de motoristas
Carro quando sai de linha costuma perder valor. Mas o Fusquinha está na contramão dessa lógica de mercado. O modelo da Volkswagen, inventado na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, deixou de ser fabricado há mais de dez anos no Brasil. Mas, agora, o carrinho está em alta, cada dia mais valorizado por uma legião de motoristas apaixonados.



(Foto: Maria Vitória Pereira/VC no G1)



Para reformar um Fusca que era do pai, Maurício já gastou R$ 8,5 mil. Tempo de investimento e paciência. O veículo tem 33 anos e Maurício, 35. Para reformar o carro, ele pesquisou na internet e em algumas lojas especializadas. “Faz parte há muito tempo da minha vida esse carrinho”, diz um orgulhoso Maurício. “Tudo que eu lembre que eu faça na minha vida, eu lembro desse Fusca. É como se fosse meu irmão”, compara.

História
O carro de Francisco também sempre foi um Fusca. E o filho, Marçal Vasconcelos, está seguindo a mesma estrada. “Minha namorada adora o Fusca. Às vezes em que eu fiquei sem bateria, ela não se importou de empurrar. Acaba virando história para contar na roda de amigos”, afirma Marçal. Ele sequer pensa em se desfazer do xodó. “Não tenho a intenção de comprar um carro mais novo. Pretendo reformar esse aqui e continuar usando o Fusca”, garante. Protagonista de tantas histórias, o Fusca ainda surpreende. Mesmo estando fora da linha de montagem, ele continua movimentando o comércio de carros. E quanto ao lucro? Não há erro, e ainda carrega algumas vantagens. “É um carro que não vive dando problemas. Chego ali, meto a chave, vou onde eu quero, nunca me deixou na rua”, conta Gilson dos Santos. “Saio com ele limpinho, é uma aporrinhação. Quer vender, quer vender? Estou preferindo até andar com ele sujo”, brinca. A comercialização de fuscas tem crescido e o mercado tem elevado o preço do carro. É o que constatou o arquiteto Paulo Areal. “Eu comprei por R$ 3 mil. Outro dia uma pessoa me parou na rua e perguntou se eu não queria vender. Eu disse que não. A pessoa insistiu, e eu disse que de jeito nenhum. Daí me perguntou se nem por R$ 11 mil”, contou. No caso de Paulo, não há valor que compre sua paixão. “Não vendo por R$ 11 mil, e nem se pusesse mais um 1 na frente eu venderia”, afirma.
Internet
O exemplo vivido por Paulo pode ser comprovado na internet. A rede mundial de computadores mostra que o Fusca está em alta. Há Fuscas anunciados por R$ 20 mil. Mas já tem gente pedindo mais: R$ 100 mil.

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