29 de out de 2008

"Meu fusca tem mais enfeite do que parede de pensão"

"Meu fusca tem mais enfeite do que carroção de cigano e parede de pensão. Vou tornar o meu carro cada vez mais diferente. Quero chamar mais atenção de todo o mundo por onde passo com ele". A audácia partiu do aposentado Antônio Teixeira de Sousa, 57 anos, seis filhos, morador do bairro Jardim Cidade Universitária, João Pessoa na Paraíba. Mais conhecido como Tonhão Cigano, seu veículo exibe cerca de 2,5 mil adornos e a riqueza de variedade engloba desde carrancas, adesivos, brinquedos, chapéus, ferro de engomar, copos e até pôsteres da modelo Gisele Bundchen. "Agora ele está mais enfeitado do que o pitisqueiro da vovó", destaca, satisfeitíssimo, Cigano.

Tonhão Cigano confessa que seu único hobby na vida, ou mania, é se empenhar "com ardor" na tarefa de enfeitar o seu fusca, modelo 1980, o único veículo que possui até hoje. "Todo dia ponho um enfeite no meu carro. O bichinho é todo original, assim como os documentos que tão ali no cofre", diz com orgulho. Troféus, taças, óculos, um moinho antigo e vários adesivos com mensagens integram o acervo exibido na carroceria do fusca. Quase não há mais espaço para acolher outros objetos.
"Esse fusca é o único e meu primeiro carro que comprei até agora. E quando o adquiri fui logo enfeitando. Primeiro, coloquei um bagageiro equipado com luzes. Foi uma coisa que vi uma vez pela TV. Logo, pensei que devia pendurar mais coisas para chamar a atenção do povo. A partir daí, não deixei de enfeitá-lo", conta Antônio de Sousa. Ele diz que o apelido se deve à aparência esquisita do seu veículo e, também, ao dito popular que vez por outra se ouve por aí: "Mais enfeitado do que carroção de cigano".
"Eu amo o meu fusca porque ele é diferente dos outros carros. É isso que eu quero. Ser muito, muito diferente para chamar mais ainda a atenção do público", afirma, obsessivo, Antônio de Sousa.
Vender o carro nem pensar. O aposentado não comercializa o seu veículo por dinheiro nenhum. Nem por um milhão. "Não vendo, nem empresto. Ele é o meu sonho. Esse é o meu hobby. É o que gosto mesmo na minha vida. Trato o meu carro dentro da minha casa com todo o carinho e respeito", ressalta. Ele disse que começou a botar adorno na carroceria do veículo assim que o comprou. "Após instalar o bagageiro, eu pus as quatros carrancas que eu trouxe da Bahia. Agora só faço botar coisas, tirar nada. Nunca tiro, só boto", diz com toda a segurança.
O grande amor que sente pelo fusca, prossegue Tonhão, é dividido pelos filhos e com a esposa, Maria José Teixeira da Costa. "Meus filhos adoram o carro, assim como a minha mulher", reforça. "Não o vendo por preço nenhum. E se o cara falar em comprá-lo, logo fico com raiva. Fico meio triste. Não tem acordo. Não existe preço. Não tem sentido vender o meu querido carro", afirma, categórico, Antônio de Sousa.
Tonhão Cigano disse que aonde chega o seu carro é "logo arrodeado pelo povo. Onde chego não dá nem tempo de ir ao banheiro para fazer pipi. O povo logo rodeia o veículo. E tenho que ficar lá prestando conta e dando informação", informa o aposentado. Retratos de mulheres semi-nuas, colares de pérolas e adesivos exibindo propaganda de postos de gasolina também estão colados na carroceria do veículo.
Tonhão Cigano, que exercia a profissão de caminhoneiro e foi aposentado por invalidez, já foi xingado várias vezes nas ruas. Muitas pessoas o chamaram de doido, louco, esquisito. Mas ele não se importa: "Não tenho sossego, todo mundo quer saber algo sobre o meu carro e também não ligo muito para o que dizem. Respondo todas as perguntas de forma educada. Uns acham feio, outros bonito. Isso é que é bom para mim. Essa curiosidade me deixa bastante satisfeito", diz, tranqüilo, o ex-caminhoneiro.
Neste exato momento, Tonhão Cigano está preparando outro enfeite para colar no seu veículo. Se trata de uma miniatura em madeira da Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, "mas sou devoto de São Judas Tadeu", avisa. Na verdade, todo dia ele bota um adorno na carroceria do fusca: "é só aparecer algo, pode ser uma flor, o que vier na cabeça e tiver em mãos eu boto no carro", ressalta.
O interior do veículo também não exibe mais espaço vazio. Ele está tomado por enfeites. Dentro, além de dezenas de tralhas, tem um violão, um sistema de som, um aparelho de televisor, bichinhos de pelúcia, múltiplos chaveiros e muitos outros objetos, como colares pendurados no teto.
Indagado se as centenas de objetos não chamam a atenção das autoridades do setor de trânsito, Tonhão Cigano responde que, até hoje, ninguém lhe abordou por causa dos enfeites. "Vou para todo canto com o meu fusca. Até para Recife já fui várias vezes. Não dá problema, nem com o CpTran, nem com a Polícia Rodoviária Federal. Na realidade, é um carro de eventos e ele não causa confusão no meio da rua. Já estou recebendo muitos convites para expor o meu fusca por aí. O povo gosta", justifica o ex-caminhoneiro.
Tonhão Cigano garante, para deleite do público, que vai continuar enfeitando o seu carro. "Vou botar babilaques no bichinho até a minha morte. O que eu tiver em mãos, eu boto no fusca. É uma mania de lascar que eu tenho. Ainda cabe muita coisa", acredita o ex-caminhoneiro.
Carlos Cavalcanti
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Marcos Russo
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