18 de out de 2008

Besouro passado a limpo

Besouro passado a limpo

Enio Greco - Estado de Minas

Fusca de 1950 faz parte da história de família de Belo Horizonte e foi restaurado com base em informações fornecidas pela matriz da Volkswagen, na Alemanha
O VW Fusca é figurinha carimbada no cenário brasileiro, mas existem alguns exemplares que merecem um olhar mais atencioso. É o caso do Fusca de 1950 que pertence ao administrador de empresas Júlio Caio Fachin, que, em 2004, foi premiado na categoria pós-guerra no encontro de antigos de Araxá.


O carro impressiona pela conservação e originalidade e tem detalhes que o diferenciam dos Fusca produzidos no Brasil.Júlio lembra que o Fusca de 1950 foi o primeiro modelo VW a chegar no Brasil importado da Alemanha. Em 1981, o pai dele, Ronaldo Fachin, comprou o exemplar, que atualmente lhe pertence, em Santo André (SP). Na época, o carro estava em bom estado, mas tinha perdido algumas características originais. O Fusca passou a fazer parte da história da família Fachin e por isso, em 2000, eles resolveram restaurá-lo.Antes de iniciar os trabalhos de recuperação do carro, Júlio resolveu encaminhar um e-mail para a matriz da Volkswagen na Alemanha, pois queria informações detalhadas para resgatar a originalidade do modelo. Ao transmitir o número do chassi do carro para a montadora, recebeu de volta um certificado que é um verdadeiro dossiê, com detalhes como a data em que o carro foi fabricado, quando veio para o Brasil e os acessórios que tinha quando saiu da linha de produção.Outra informação importante transmitida pela VW foi a fórmula da tinta original do carro, o marrom médio. Júlio conseguiu reproduzir a fórmula e o Fusca foi repintado, voltando à sua cor original. Os trabalhos de restauração se estenderam por um ano e meio, mas a longa espera valeu a pena, pois o resultado final foi muito bom. Os acessórios e equipamentos originais que faltavam Júlio conseguiu encontrar em Belo Horizonte, São Paulo, Estados Unidos e na Alemanha.BipartidoO Fusca de 1950 tem como principal característica externa o vidro traseiro bipartido. É mais conhecido como aquele das duas janelinhas traseiras. Mas tem outros detalhes, como pára-brisa menor, pára-choques mais finos, lanternas traseiras pequenas e um olho de, que era vendido como acessório de época. As lanternas de seta são do tipo bananinha, embutidas nas colunas laterais e acionadas por uma chave no painel.O motor original, de 1.100cm³, foi substituído por um de 1.200cm³, de 36cv de potência. Júlio explica que a troca foi feita diante da dificuldade de manutenção do motor original. A transmissão também foi substituída, pois a original tinha primeira marcha não-sincronizada e a atual tem as quatro sincronizadas.O interior do Fusca impressiona pelo cuidado na restauração e diferenças em relação ao modelo brasileiro. O painel tem dois porta-luvas (um em cada extremidade), um velocímetro que não é centralizado e um grande relógio. Para ligar o carro, basta virar a chave de ignição e, depois, acionar um botão branco que fica na parte inferior do painel. É um recurso que atualmente vem sendo usado em alguns modelos modernos, comenta Júlio.Esse modelo de 1950 era oferecido em versão de luxo, que tem, entre outras coisas, rolos de almofadas que funcionam como apoio de braço nos cantos do banco traseiro. O revestimento interno é feito em tecido aveludado e o assoalho coberto por carpete. Júlio confessa que tem orgulho de ver o carro retomar sua condição original, pois não esconde seu carinho pelo velho besouro alemão.

0 comentários: